Fundação Conrado Wessel

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A Fundação Conrado Wessel

Instituída em testamento por Ubaldo Conrado Augusto Wessel, tem os objetivos que ele estabeleceu em testamento: o incentivo à CIÊNCIA, âncora do desenvolvimento nacional; o incentivo à CULTURA, raiz do bem estar social e da paz mundial; o incentivo à ARTE, veículo da perfeição espiritual. Essa missão é o que de mais nobre se pode pensar para o Brasil.Foi constituída em 20 de maio de 1994. Durante os primeiros seis anos de existência foram realizadas as providências destinadas à transferência de patrimônio do espólio para a responsabilidade fundacional.

O patrimônio da Fundação é constituído por imóveis, cuja renda líquida se destina à concessão de subvenções e prêmios anuais às entidades estabelecidas como beneficiárias dos rendimentos, conforme desejo do Instituidor. Dentre essas entidades evidencia-se, pela sua maior participação, o CORPO DE BOMBEIROS DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO, que anualmente, em 2 de julho, data em que se comemora o “DIA DO BOMBEIRO”, receberá subvenção de valor variável e proporcional aos rendimentos da Fundação, destinada a premiar Bombeiros, preferencialmente praças, que mais se destacarem, em suas Unidades, no cumprimento de seus deveres.

A escolha dos premiados será a critério e julgamento do Comando do Corpo de Bombeiros, sendo que a mesma pessoa não pode ser indicada mais de uma vez, exceto no caso de morte no cumprimento do dever, hipótese em que o prêmio será entregue à viúva, seus descendentes e na falta destes, a seus ascendentes. Essa subvenção pode, também, ser destinada a custear o aprimoramento técnico profissional nas áreas de Prevenção e Extinção de Incêndios, Atendimento Pré-hospitalar (Resgate), Buscas e Salvamentos, premiando Bombeiros que se evidenciarem no seu trabalho.

Outras Instituições assistenciais, beneficentes e educacionais foram escolhidas por Conrado Wessel como beneficiárias da Fundação: Fundação Antonio Prudente – Hospital do Câncer; Assistência e Promoção Social do Exército da Salvação; Associação Escolar Benjamin Constant; Conselho Nacional das Aldeias S.O.S.; e Entidades de Amparo às crianças abandonadas, selecionadas à critério da administração da Fundação.

Foto: Conrado Wessel
Ubaldo Conrado Augusto Wessel

Quem foi Conrado Wessel

Ubaldo Conrado Augusto Wessel proveio de uma família de Hamburgo, Alemanha, industriais fabricantes de chapéus. Seu avô, August Wessel, com a parte de bens que amealhou como industrial, decidiu emigrar para a Argentina, nos idos de 1860, acompanhando o movimento migratório internacional dos europeus na época. Adquiriu uma estância em Concepción del Uruguay, nas proximidades de Buenos Aires.

August encaminhou seu filho Guilherme para estudar em Hamburgo e lá ele se especialista em Física. Por aí seguiu a atração da Fotografia, uma técnica de grande atrativo no século XIX, com a qual se entretinha e pela qual desenvolveu o talento para o manuseio de instrumentos e sua técnica. Terminados os estudos em Hamburgo, Guilherme Wessel casou-se com Nicolina Krieger, em 03 de março de 1887 e retornou a Buenos Aires.

E assim, do casamento de Guilherme, nasceram dois filhos: Georg Walter em 10 de abril de 1888 e Ubaldo Conrado Augusto em 16 de fevereiro de 1891. Já em 1892 a família mudou-se da Argentina para o Brasil, evitando as conseqüências do envolvimento do avô August numa conturbação político-militar portenha. A família primeiramente morou em Sorocaba, Estado de São Paulo, em fins de 1892 e já no ano seguinte se transferiu para São Paulo.

O pai, Guilherme Wessel, tornou-se comerciante na área de fotografia e clicheria, estabelecido à Rua Direita inicialmente, além de professor de Matemática no Seminário Episcal, no bairro da Luz.Guilherme incrementou no filho Ubaldo as qualidades genéticas de pragmatismo, obstinação e ousadia, temperando o seu talento inventor. Conrado foi estudar na escola da Vila Mariana conhecida como “Escola Alemã”, mantida pela Associação Benjamin Constant. Apreciava muito a Química e por conta dela, a Fotografia. Aos 15 anos de idade, ganhou medalha de ouro na Exposição Agrícola Industrial e na Segunda Exposição Estadual de Animais e Produtos, com trabalhos de fotografia.

Quando tinha 17 anos, em 26 de dezembro de 1908, seu imão Georg faleceu. Tornou-se filho único ao qual os pais dedicaram o máximo de atenção. Procurando o máximo em instrução, seus pais o encaminharam para a Áustria, em 1911, a fim de ampliar seus conhecimentos e estudar Fotoquímica em Viena, na K.K. Lehr und Versuchs Antstalt. Por dois anos especializou-se em clichês para revistas e jornais. Em 1913 retornou ao Brasil, com equipamentos adquiridos em Hamburgo destinados à confecção de clichês para impressos em geral.

Não lhe bastando os estudos no exterior, aprimorou-se tendo aulas como aluno assistente da Escola Politécnica, em São Paulo. Lá foi auxiliar de laboratório do Prof. Hottinger. Desenvolveu pesquisas por 4 anos. Conferiu fórmulas, tamanhos, reações, natureza do papel das fotos.

Instalou uma oficina num prédio de seu pai, na Rua Lopes de Oliveira, 198, Barra Funda. Enquanto buscava a fórmula, utilizava os equipamentos da oficina; quando os equipamentos não correspondiam ao que lhe interessava, inventava outros. E assim foi.

Perdeu muitas resmas de papel bem caro e importado, até conseguir aperfeiçoar sua fórmula. Diz ele em anotações à moda de manuscritos: “Fiz inúmeras experiências misturando o nitrato de prata ao brometo de potássio, ao cloreto de sódio e ao iodeto de potássio. Depois de centenas de experiências, cheguei a uma fórmula satisfatória, cujas provas agradaram muito a meu pai”.

Patenteou seu processo em 1921, no tempo do Presidente Epitácio Pessoa. Esforçou-se muito para conseguir impor-se no mercado vendendo pessoalmente seus cartões no Jardim da Luz para os “lambe-lambes”.

Em 1924, a revolução chefiada pelo General Isidoro Dias Lopes isolou a cidade de São Paulo. Os produtos que eram importados pelo porto do Rio de Janeiro, especialmente o papel de fotografia estrangeiro, então muito usado, desapareceram da praça. A demanda do papel Wessel explodiu e tomou conta do mercado de São Paulo.

Terminada a revolução de 1924, os fotógrafos continuaram a consumir o Papel Wessel, apesar de toda a concorrência dos estrangeiros, porque era efetivamente melhor que todos. Procurado para uma fusão de interesses, Conrado Wessel fez uma sociedade com a Kodak, primeiramente vendendo sua produção e, depois, em 1949, criando a Fábrica de Papel Fotográfico Kodak – Wessel em São Paulo. Foi diretor da fábrica até 1954, quando transferiu os direitos de inventor definitivamente. Dominou o mercado por décadas. Muito parcimonioso, formou seu patrimônio com bens de raiz e sempre demonstrou indiscutível seriedade e lealdade nos seus negócios.

Por testamento de 11 de maio de 1988, criou a Fundação Conrado Wessel, com a finalidade de incentivar a Arte, a Ciência e a Cultura e apoiar com doações anuais 6 entidades. Faleceu no dia 23 de maio de 1993, já nos primeiros meses do seu 103° ano de vida.